#EuVotoDistrital

Mais poder ao cidadão

Políticos ignoram eleitores na internet

Falta à nossa sociedade ferramentas de participação democrática. O cidadão não consegue manter vínculo com os seus representantes, pois não existe maneiras eficientes de isso acontecer. Nosso sistema eleitoral, como sempre dito aqui, é falho em diversos quesitos e afasta o cidadão. Além do sistema eleitoral, o uso da tecnologia também é subutilizado como mostra a pesquisa realizada pela agência digital Medialogue.

SOBRE A PESQUISA

São poucos os parlamentares que interagem com seus eleitores via internet. A maioria ignora as tentativas de um eleitor participar das sua decisões políticas. Segundo a pesquisa, 77% destes parlamentares não respondem aos emails recebidos. Também temos uma imensa quantidade de políticos que não permitem mensagens em seus sites, não os atualizam e tão pouco são transparente quanto a sua atuação ou a verba utilizada pelo seu gabinete.

Pode-se conculir pela pesquisa que estes políticos ainda não tem o conhecimento adequado para utilizar estas tecnologias e mais do que isto eles não se interessam em interagir com o cidadão. O eleitor não sabe o que o político faz e este não conhece quem o elege. Há nesta relação um gravíssimo problema para a nossa democracia.

TECNOLOGIA + VOTO DISTRITAL

A tecnologia utilizada dentro de um bom sistema eleitoral pode mudar a qualidade política do nosso país. Um dos grandes benefícios do voto distrital é a aproximação do político com o eleitor. Havendo distritos, cria-se uma identidade local entre as duas partes. Por mais que o representante eleito no seu distrito não seja o que você votou, isso não lhe tira o direito de exigir ou se relacionar com ele. Você sabe quem é o seu representante da mesma forma que sabe quem é o seu prefeito, governador ou presidente por mais que não tenha votado neles. Saber quem lhe representa é primordial para exigir deles atuações que atendam melhor a sociedade.

E onde entra a tecnologia nisso? Partindo de um sistema eleitoral onde o político naturalmente se envolve mais com os seus eleitores, como é o caso do voto distrital, cada vez mais a tecnologia será benéfica ao político pois possibilita e organiza as suas interações com a sociedade. Diferente de hoje onde não há estímulo para o político interagir com o cidadão, com o voto distrital é necessária a presença dele junto ao cidadão. Assim se quebra o medo de utilizar ferramentas digitais para a democracia participativa: seja blogando, twittando, oferecendo dados livres, respondendo perguntas, discutindo propostas políticas online entre outras coisas que a tecnologia ainda nos proporcionará.

A tecnologia é um forte alidado da participação democrática assim como o voto distrital também é. Conte para gente nos comentários abaixo como você acha que as ferramentas digitais podem funcionar dentro de um sistema eleitoral com o voto distrital.


Para saber mais:
Pesquisa: 77% dos parlamentares ignoram e-mails de eleitores
Políticos ainda não entendem as redes sociais

Pesquisa completa
Imagem: Corbis

Comentar 03/dez | #Artigos #Notícias

Vamos mostrar que a população prefere o voto distrital!

Recentemente, o vice-presidente Michel Temer defendeu que a reforma do sistema eleitoral deveria ser decidida por plebiscito. Isso nos faz refletir: será que com um plebiscito o voto distrital seria a proposta ganhadora?

Acreditamos que sim! O movimento #EuVotoDistrital ganha cada vez mais adeptos. Quando um voluntário sai pelas ruas para coletar assinaturas, quase sempre ele tem uma resposta positiva da pessoa com quem conversou. É uma questão de fazer o cidadão entender que o voto distrital é a reforma que interessa a população justamente porque vai na raiz do problema.

Já foram publicadas aqui no blog algumas pesquisas que também apontam a preferência do brasileiro pelo voto distrital. Embora elas não tenham um recorte demográfico que represente toda a população, elas já são um forte indício de que o cidadão prefere o voto distrital.

Por exemplo, na pesquisa do DataSenado, 83% das pessoas preferem que o voto seja dado unicamente a um candidato e 64% querem que a circunscrição eleitoral seja uma pequena região. Na enquete do Estadão, mais de 56% preferem o voto distrital e 17% o distrital misto enquanto outras propostas como o sistema atual não passam de 12%. E no Vote na Web, mais de 85% dos usuários apoiam a proposta de voto distrital elaborada por Aloysio Nunes.

Somos a única reforma eleitoral que tem um movimento social organizado por pessoas para fazer isto acontecer. Seja por plebiscito ou não o voto distrital tem boas chances de ser uma reforma aprovada.

VOTAÇÃO DO PROJETO DA REFORMA POLÍTICA

Temos uma oportunidade HOJE: pressionar a votação do projeto da Reforma Política! Vamos aproveitar que ela foi adiada para amanhã (26 de outubro) por “falta de acordo entre as lideranças”. Mande uma mensagem ao deputado e relator Henrique Fontana (PT-RS) pelo nosso formulário automático!

Para saber mais sobre o plebiscito leia o artigo A quem de direito.

Fique de olho! Ajude o movimento crescer, trazendo mais assinaturas.

Comentar 25/out | #Artigos #Eventos #Notícias

Voto Distrital X Vereador de Luxo

Sabe aquela crítica de que com o voto distrital os vereadores só pensarão na sua região deixando pra lá questões nacionais e temas importantes? O voluntário e professor Dr. Rogério Ives Braghittoni nos mostra no artigo abaixo que representar os interesses de uma região não significa abandonar questões nacionais.


Vereador de Luxo?

Sir Winston Leonard Spencer-Churchill foi, na opinião de muita gente (e eu me incluo entre eles), o maior estadista do século XX. Desde muito cedo tentou alertar o mundo sobre o perigo que representavam Hitler e seu nacional-socialismo, foi peça chave durante todo o decorrer da guerra e teve enorme importância na vitória final dos aliados. Talvez ele tenha sido, isoladamente considerado, o maior responsável por essa vitória – o que significa, em última instância, que é em grande parte graças a ele que eu, você e o resto do mundo não sejamos, hoje, escravos em um campo de concentração nazista. Churchill já tinha seis livros publicados aos 26 anos, foi um dos maiores oradores de todos os tempos e foi ainda vencedor do Prêmio Nobel de Literatura (1953) por sua espetacular obra “A Segunda Guerra Mundial”.

A par desses fatos largamente conhecidos, há dois outros que quero destacar aqui: 1. ele iniciou sua carreira política como deputado e 2. como é sabido, os deputados no Reino Unido, da mesma forma que na maioria das democracias consolidadas, são eleitos com base no voto distrital. Churchill, o insuperável estadista que enfrentou e venceu o nazismo, foi eleito pelo voto distrital.

Nos debates sobre reforma política de que tenho participado, um dos argumentos que alguns tentam usar contra o voto distrital é que essa forma de eleição transformaria o deputado em algo que chamam de “vereador de luxo”. E a primeira coisa em que penso quando ouço isso é, justamente, em Winston Churchill.

Claro, bastaria isso para encerrar a questão – teria sido Churchill então um “vereador de luxo”, seja lá o que isso signifique? Mas vamos aprofundar um pouco a discussão.

Como se sabe, o sistema de voto distrital divide os eleitores em grandes distritos, e cada um desses distritos elege seu deputado – o que gera incontáveis vantagens sobre o sistema absurdo de “voto proporcional” que o Brasil utiliza atualmente. Para alguns críticos, porém, o voto distrital faria imediata e automaticamente (para não dizer “por mágica”) com que o deputado, ao invés de se preocupar com as grandes questões nacionais, fosse cuidar apenas das picuinhas de seu próprio distrito.

Mas há então que se perguntar: o que gera essa vinculação entre uma coisa e outra? Qual é, exatamente, a relação de causa e efeito entre elas? Ora, nenhuma, rigorosamente nenhuma. A escolha do deputado é, sim, feita no distrito, mas porque

diabos o deputado iria se preocupar somente com os problemas do distrito? Só mesmo mágica para explicar essa pretensa relação.

Os eleitores daquele distrito obviamente estão preocupados com as grandes questões nacionais – saúde, educação, corrupção, segurança, inflação. Então, se o deputado quiser se reeleger na próxima eleição, ele vai ter de se preocupar com elas também. Se, ao contrário, ele pretender ter um péssimo resultado eleitoral, basta agir como o tal “vereador de luxo”. Numa democracia saudável, isso será suficiente para que a grande maioria dos eleitores de seu distrito nem pense em votar nele de novo.

É assim, aliás, que as coisas funcionam na maior parte das democracias do mundo (Estados Unidos, Japão, França, Itália, Austrália… e, claro, Reino Unido) e em nenhuma delas se tem notícia de que os deputados tenham deixado de lado as mais importantes questões nacionais para se tornarem “vereadores de luxo”. Isso simplesmente não aconteceu em nenhum desses países. Muito ao contrário: com a fiscalização superior proporcionada pelo voto distrital aos eleitores, os deputados ficam ávidos por “mostrar serviço” e fazer um bom trabalho exatamente nas grandes questões, não nas picuinhas. Eles sabem que a sobrevivência política deles depende disso.

Em resumo, a teoria não se sustenta e a prática demonstra o exato oposto. E Churchill, no especial lugar que lhe foi reservado no Paraíso, certamente dá boas gargalhadas toda vez que escuta essa conversa de “vereador de luxo”.


Leia este e outros artigos na nossa Biblioteca

Tire esta e outras dúvidas sobre o voto distrital

Leia também o que Reinaldo Azevedo fala sobre vereador de luxo

Comentar 11/out | #Artigos

Voto Distrital X Minorias

Encontramos um artigo super interessante que defende o voto distrital das críticas de que ele subrepresenta as minorias. Essa crítica é falha e o artigo a seguir esclarece este ponto.

IMPORTANTE: o artigo abaixo é de um blog ideológico. O movimento #EuVotoDistrital é apartidário e não compartilha do posicionamento político dele. Apenas achamos interessante o seu artigo sobre o tema.


O voto distrital divide cada estado em vários distritos, cada um com número similar de habitantes. Cada distrito elege um representante. O número de distritos é igual ao número de cadeiras no parlamento que cada estado tem. A eleição, neste caso, portanto, é majoritária, do mesmo modo que as eleições para o Senado e para os cargos do Executivo. Uma crítica deste sistema, porém, é que as “minorias” não seriam representadas. Mas, afinal, no Brasil, quem são essas minorias?

No exterior, as minorias são compostas por grupos de diversidade étnica, de nascimento ou de nação. Em muitos países, um mesmo estado abriga várias comunidades, ou seitas, como no Iraque, onde coexistem sunitas, curdos e xiitas. Na Índia, a população é dividida em castas, e os direitos não são iguais para todos. Em países como a Bolívia, a população indígena é grande e representativa na sociedade, junto com a população urbana. No Brasil, no entanto, não existe diversidade étnica ou de origem que caracterize uma minoria, e os direitos dos índios já são bastante resguardados.

A votação em um distrito é uma eleição apertada, visto que apenas uma cadeira está disponível por região. Portanto, é de interesse de todos os candidatos nessa disputa englobar também os interesses das minorias presentes na população de seu distrito para se eleger, sejam estas de ordem social, como os homossexuais, ou de alguma parcela específica da sociedade local, que varia de distrito para distrito. Neste caso, portanto, as minorias teriam suas necessidades contempladas pela maioria dos representantes eleitos nos distritos, em contraste com uma minoria incapaz de aprovar projetos em um sistema proporcional como o atual.

Em uma conta rápida, os críticos do voto distrital dizem que um partido A pode ter, por exemplo, 40% dos votos totais e conquistar 60% das cadeiras do Parlamento, enquanto o partido B poderia receber 25% dos votos nacionais, mas conquistar apenas 10% na mesma casa. No entanto, o Brasil conta com uma grande quantidade de partidos, e estas legendas não representam efetivamente as minorias, mas apenas grupos políticos e caciques partidários. Os verdadeiros representantes das minorias estão espalhados pelos partidos, e são apenas uma minoria em suas próprias legendas.

No TSE existem registrados 28 partidos políticos (com a entrada do PSD) aptos a disputar as eleições. Contudo, em uma leitura apenas das denominações dos partidos, é possível ver como são recorrentes as “ideologias”, onde as palavras Social, Democracia, Trabalhador, Cristão, República, Nacional aparecem desse modo ou com suas variações. As próprias classificações de direita e esquerda estão restritos a agremiações de extrema. Os partidos, por si só, não representam mais as minorias, mas sim grupos e dirigentes partidários.

Alguns desses partidos, no entanto, são ligados a outras instituições, como sindicatos (de trabalhadores e patronais), igrejas, redes de comunicações, produtores rurais ou empresários. Essas instituições contam com um poder de pressão próprio e exercem suas próprias funções na sociedade, mas não representam a maioria da sociedade e dos eleitores. A representação por meio desses parlamentares defende apenas uma pequena parcela da sociedade, uma elite, deixando a grande maioria sem representação.

Contudo, um parlamento bastante dividido entre diversos partidos, como é agora no Brasil, apenas possibilita a corrupção, as oligarquias partidárias, o loteamento dos ministérios e cargos, desvios de verbas e o fisiologismo. A falta de governabilidade do presidente acaba gerando o chamado “presidencialismo de coalizão“, onde a grande base aliada cobra caro por seu apoio. As reformas necessárias, contudo, ficam inviabilizadas com esse enorme número de partidos e interesses. Estes que não são os do povo, mas dos próprios políticos.

Outra crítica feita é que o voto distrital acabaria com o chamado “deputado temático“, onde o “deputado da educação” não se elegeria. Contudo, é ingenuidade achar que apenas alguns deputados podem ser “da educação” e, portanto, não se importam com outros temas igualmente importantes como saúde, segurança, emprego e transporte e meio ambiente. Precisamos que todos os parlamentares sejam “da educação”, mas não necessariamente do sindicato dos professores ou autores de livros. A população de cada distrito deve cobrar de seu representante que ele defenda uma educação melhor para todos. Em um sistema proporcional, não é possível para a população cobrar de todos os deputados do seu estado.

No voto distrital, o deputado precisa ter a representação da maioria do população de seu distrito. E cada distrito é diferente do outro, cada região tem demandas diferentes e que devem ser representadas por seu deputado. Um distrito no interior do Rio Grande do Sul é diferente de um no interior do Rio Grande do Norte, enquanto um distrito no interior do Acre tem outras características. Mas todos os distritos precisam ter um deputado que tenha entre suas bandeiras a educação, a saúde, o transporte, a alimentação, o emprego, áreas que beneficiam toda a população.

Um distrito eleitoral com grandes indústrias automobilísticas e seus sindicatos pode facilmente eleger um representante sindical, enquanto um distrito de cidades no meio de uma floresta pode eleger um ambientalista. Um distrito em uma área mais pobre poderá eleger um representante fortemente comprometido com a erradicação da pobreza. Já uma região com muitas fazendas de produção agrícola poderá ter um deputado ligado as questões rurais e aos trabalhadores desse setor. Estas são as representações da população de cada local. A eleição de senadores ligados a igrejas e setores da economia e dos trabalhadores em alguns estados mostra como essa representação é possível.

O principal, contudo, é que os eleitores destes distritos saberão claramente quem é o seu representante e podem cobrar dele suas demandas. E se este deputado não for competente, ou se mostrar corrupto, ele não conseguirá se reeleger, e outro tomará seu lugar, mais sintonizado com as necessidades locais e a ética. Se esse parlamentar não representar os interesses locais e de suas minorias, contudo, é mais fácil a população do distrito perceber isso e se mobilizar para eleger outro candidato na próxima eleição. Em uma eleição no estado todo, isso é impossível. Entretanto, se este representante tiver o apoio e a aprovação da população de seu distrito, ele poderá se reeleger, melhorando o trabalho do Parlamento de um modo geral.

O voto distrital é a grande chance do Brasil moralizar sua política e o Congresso Nacional. O eleitor precisa saber quem é seu representante e cobrar diretamente dele suas demandas. Não se deve, no entanto, confundir supostas minorias com os grandes problemas que a maioria da população sofre. As mulheres, os pobres e os trabalhadores são a maioria da população e estes não são bem  representados atualmente. Precisamos nos unir para que o Brasil seja um país onde todos tenham acesso à educação, saúde e segurança de qualidade. Temos que nos unir, e não nos dividir.


Leia o artigo original no blog Consciência Liberal

Leia este e outros artigos na nossa Biblioteca

Comentar 04/out | #Artigos

Respostas a Alberto Carlos de Almeida

Um dos principais críticos ao voto distrital é o cientista político Alberto Carlos de Almeida. Ele já apresentou alguns artigos no Valor Econômico contra o voto distrital. Embora seja um cientista político bem respeitado e utiliza muitos dados e exemplos para fundamentar seus argumentos, Alberto faz comparações tendenciosas e ignora outras informações sobre voto distrital.

Alguns mobilizadores estão preparando artigos e vídeos para responder as principais críticas ao voto distrital. Esse material você deve conferir nas próximas semanas. Enquanto isso, encontre respostas mais detalhadas sobre algumas críticas ao voto distrital na nossa BIBLIOTECA.

Um dos artigos, escrito por Carlos Pio, dá respostas diretas aos argumentos de Alberto. Ele foi primeiramente publicado em um blog partidário, mas o movimento #EuVotoDistrital é apartidário e não compartilha do posicionamento político dele. Apenas achamos interessante o seu artigo e as respostas que ele dá as críticas ao voto distrital.

LEIA O ARTIGO DE CARLOS PIO: Voto distrital não interessa os políticos

 

Comentar 27/set | #Artigos